Como equilibrar a maternidade e o trabalho em tecnologia

“A diversidade, a criatividade e a inovação andam juntas”, diz Sigal Shaked, cofundadora e diretora de Tecnologia da Datomize, uma empresa sediada na cidade de Tel Aviv, que ajuda a dar impulso aos modelos de aprendizagem automática relacionada com o papel das mulheres na tecnologia.

A respeito disso, um estudo de pesquisa realizado pelo Centro Nacional de Mulheres e Tecnologia da Informação dos Estados Unidos mostrou que “a diversidade de gênero traz benefícios específicos para os ambientes tecnológicos”, e isso poderia explicar por que as empresas de tecnologia criaram iniciativas para aumentar o número de candidatas mulheres e recrutá-las de uma maneira mais eficaz, a fim de conseguir retê-las por mais tempo e dar-lhes a oportunidade de avançar. Porém, será que isso é suficiente?

Na verdade, para as mães que trabalham, os desafios são ainda maiores, já que ao mesmo tempo devem cuidar de seus filhos e ajudá-los. É sabido que as mães têm menos probabilidades de ser contratadas, entrevistadas e de ascender em suas carreiras.

Desafios a serem enfrentados

A pandemia acarretou um custo enorme para o trabalho, principalmente para o das mães. A respeito disso, a Girls in Tech, uma organização mundial sem fins lucrativos que trabalha para eliminar a lacuna de gênero na área da tecnologia, acrescenta o efeito devastador da COVID-19 para as mulheres que trabalham em tecnologia.

Nesse sentido, Dana Supter, professora associada de Teoria Organizacional e Management e Recursos Humanos na California State University, recomenda algumas formas para que os gerentes possam garantir que as mães permaneçam no trabalho, durante a pandemia e depois dela. Algumas dessas recomendações são fornecer certeza e clareza, corrigir as expectativas trabalhistas e continuar mostrando empatia.

Como empoderar as mulheres mães

(Fontes: Harvard Business Review, Forbes e CIPPEC)

  • Fornecer certeza: a ansiedade e a insegurança no trabalho têm incrementado o estresse. Por isso, é importante que o/a líder comunique claramente as expectativas trabalhistas, os padrões de desempenho e as decisões que estão sendo tomadas e por quê.
  • Calibrar expectativas: a dissolução de fronteiras entre a vida familiar e profissional das mães requer uma reformulação nas dinâmicas do trabalho. A compreensão dos/as chefes aumenta o compromisso da equipe.
  • Continuar com a empatia: os/as gerentes devem perguntar, de maneira proativa, a seus/suas funcionários/as o que é que eles/as necessitam, como se sentem e se se sentem à vontade com seu trabalho. Mostrar vulnerabilidade e compaixão no local de trabalho promove uma maior colaboração e uma menor rotatividade.
  • Equilibrar o trabalho com as responsabilidades familiares é uma dimensão essencial de qualquer esquema de tempo de trabalho decente. Por exemplo, uma semana de trabalho comprimida ou uma jornada mais curta podem reduzir a exaustão. Os gerentes podem permitir que seus/suas funcionários/as realizem os trabalhos na medida de suas possibilidades.
  • Readaptar papéis: em um ambiente proeminentemente masculino, Edie Ashton, Diretor de TI do Carlyle Group, assegura que o mundo da tecnologia evoluiu muito e apresenta diversos aspectos para os quais não se precisa de um conhecimento técnico profundo. Trata-se de papéis maiormente centrados no conhecimento da estratégia de negócios e os desafios que as soluções tecnológicas podem ajudar a resolver. São mais compatíveis na hora de equilibrar o bem-estar, a maternidade e o trabalho. Implementar licenças de paternidade equitativas: na Suíça, por exemplo, a licença dos pais é obrigatória e constitui uma das chaves para conseguir uma maior igualdade no local de trabalho, a fim de alcançar a corresponsabilidade social das tarefas de cuidado.

Em linha com estas sugestões, Allison Robinson, fundadora do The Mom Project, um projeto surgido na cidade de Chicago, que conecta mulheres do mundo inteiro, afirma: “Criei um espaço disruptivo de trabalho para as mães, para que não precisemos escolher nunca mais entre nossas famílias e nossas carreiras. A iniciativa surge da necessidade de entender que as mães têm muito a oferecer, mas os locais de trabalho não foram projetados pensando nelas”. Por isso, The Mom Project está mudando a forma de trabalhar das mulheres e redefinindo as estruturas profissionais ao fornecer-lhes oportunidades de trabalho reais.

Nos Estados Unidos, 43 % das mulheres abandonam o trabalho depois de se tornarem mães. Esta iniciativa tenta reverter a tendência por meio da geração de um mercado (uma plataforma de 400.000 mães). Algo assim como uma comunidade de talentos digitais que conecta mulheres profissionais com empresas ao redor do mundo, que entendem o valor agregado e as experiências que esses perfis trazem para as companhias, com a convicção de que a diversidade de perspectivas é fundamental para dar impulso aos negócios.

Levando em conta esses resultados, é claro que as mulheres não deveriam ter que escolher entre progredir em suas carreiras ou tornar-se mães. Pode parecer uma escolha fundamental, mas não deveria ser assim. Em resumo, é preciso continuar dando impulso a um caminho ― a partir das empresas e das políticas ― que leve a atingir um equilíbrio real que inclua a igualdade de oportunidades.

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